segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sobre ELA.

             Estava ali parada, pensando, seus últimos dias haviam lhe rendido milhões de momentos nostálgicos, lembranças, algumas tristes e outras que lhe fizeram sentir uma felicidade há muito não sentida.
              Finalmente estava frente ao mar, como em seus sonhos e momentos que ficava vagando em seus pensamentos. Sentia seu cheiro, o vento em seu rosto, aquele mesmo vento que a levara aos lugares menos óbvios por muitas vezes . Andava em meio as pedras, catando algumas conchas e objetos intrigantes, era para ela uma certa forma de meditação, de ficar só para  colocar seus pensamentos e algumas coisas no seu devido lugar.
               E como um “toque mágico” voltava anos atrás, quando ainda era criança, ia sempre ali naquele mesmo lugar, fazer exatamente as mesmas coisas de agora, ficava horas sentada, catando as sua conchas, vendo as ondas batendo nas pedras, o “vai e vem” do mar, e o som que entrava em seus ouvidos como uma sinfonia, a mais bonita sinfonia de todas, extasiante. Viajava, sonhava!
               Sentia lago muito estranho, uma extrema felicidade, e ao mesmo tempo um medo sem tamanho, como se fosse uma bola de sentimentos que só crescia, e sabia que aquilo tudo uma hora iria explodir, e quando tivesse que ser demonstrado estragaria tudo, não era alguma coisa normal, que qualquer criança na sua idade sente, ela se via muito mais velha, carregava algo incomum, como se fosse uma tarefa, uma missão impossível.
             Era dolorido e pesado. Mas também era seu sonho, suas vontades, seus mais intimo desejo. Só queria transforma-lo em realidade, só queria vive-lo.
             E lá estava a criança, menina, subindo e descendo entre as pedras, sonhando, antes de tudo acontecer, antes do furacão que passou, e virou tudo de cabeça para baixo. Tudo estava bem agora, sua mãe, sua família todos estavam bem, sem julgamentos por suas escolhas, pelos seus atos quase sempre mal interpretados.
               Ela nunca foi de falar muito, sempre na dela, sem abrir muito espaço para que as outras pessoas se aproximassem, e muito menos soubessem da sua vida, dos seus desejos e sonhos. Talvez esse tenha sido seu grande erro, o seu defeito, não mostrar-se para as pessoas. E quando o fizesse as pessoas não se “chocariam” e nem a julgariam daquela maneira.
                 De volta as pedras e a realidade, lá estava, seus pensamentos iam e vinham, como suas lembranças, que agora chegam como uma droga em sua mente e lhe proporcionam momentos de euforia e certa embriaguez. Era tudo tão inacreditável, tão bom, e tão pesado. Quando ainda sonhava.  
                  Saiu, explodiu, e como havia previsto, quando era menor, foi incompreensível, ninguém entendeu, todos revoltaram-se, doeu, doeu, doeu muito, e ainda dói. Nada nunca mais voltou ao normal, nunca mais vai ser a mesma coisa! Deve ser por isso que dói tanto. Mas faz falta..    
                   Hoje ela se prende, se fecha ainda mais, tem medo e evita de sonhar. Não quer mais sentir aquela dor, de perder, de não ser compreendida. Simplesmente deixa as coisas acontecerem, deixa elas simplesmente serem. 
                    Vira as costas, larga suas conchas lá mesmo, e vai embora. 


(http://www.youtube.com/watch?v=UkGF4RdxrWs)



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