segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sobre as eleições

        Mais do mesmo. É utilizando o título de um dos CDs de uma das melhores bandas nacionais que já existiram, Legião Urbana, que podemos definir o que foi o processo eleitoral de 2010. Candidatos sem um pingo de 'carisma', ataques pessoais, apoliticismo dos próprios candidatos e da população. 'Pior que a pior' de todas as novelas "do sul do mundo", mesmo enredo, personagens marcados, mocinha, bandido e a outra que corre por fora, nada de diferente, que entusiasmasse.
           A politica tem se tornado algo tão chato, sem graça, algumas vezes até obsoleta. Não existe mais um inimigo declarado, uma luta clara a ser travada, pelo menos não uma que mova a população, como durante o período de ditadura militar ou nas lutas pelo “Fora Collor”, ouve uma desilusão em massa, uma despolitização. Afinal, vivemos um período onde tudo está cômodo. O desemprego ATÉ QUE não está muito alto, os preços ATÉ QUE vão bem, a mídia NÃO DIZ quantos passam fome, os SINDICATOS não fazem mais greve, Não temos mais a inflação de uma década e meia atrás. Temos escolas, trabalho e comida pra que mais, né? 
               É.. estamos todos acomodados. É, um bando de gordos e pançudos, acomodados FILHOS DA PUTA. Sua consciencia e sua luta só estão com você quando você está FODIDO?  
          É inegável que a consciência está intimamente relacionada ao processo em que o sujeito está inserido. Como afirma Iasi, a “consciência é a interiorização das relações vividas pelo individuo”. Nos encontramos em um período histórico, onde nada é crucial e nem decisivo, muito menos romântico como em épocas passadas.
            Posso me recordar de dois fatos extremamente marcantes de todo o processo, não que foram os únicos ocorridos, mas foram os mais próximos da analise que pretendo fazer, e provavelmente os principais ápices da campanha.
             Primeiro, e não pelo fato em si, mas pelo por quê? A eleição do Tiririca para Deputado Federal, pelo estado de São Paulo. Sem problemas é claro, ou o grande problema. Ele foi eleito dentro de um processo eleitoral “democrático”, e por sinal, foi o candidato mais votado de todo o país.
          O problema não está em ele ser eleito, ou em ser ou não analfabeto, analfabeto funcional, ou o seu “slogan” de campanha “Pior que está não fica”. Afinal de acordo com o que entendemos como democracia hoje em dia, qualquer pessoa pode de candidatar, se propor a fazer alguma coisa, ou no caso do ser ou não alfabetizado, moramos em um país onde mais de 30% da população é analfabeta funcional, seria ele um representante dessa “classe”? (risos irônicos).
             Entretanto, a grande questão, para mim, está no que fez, mais de um milhão e trezentos mil, eleitores acharem que o Sr. Francisco Everardo Oliveira Silva era a melhor opção para representa-los na câmara federal. Isso faz parte da “descrença geral” em relação aos assuntos políticos? Uma piada?
           Realmente, isso vem como uma forma de negação da politica, do discurso, do debate coerente, é a negação da negação. Dentro do meu ponto de vista é a prova da descrença em uma democracia. “O palhaço em seu verdadeiro lugar”, depois alguns anos, após a abertura politica do país, e os incontáveis escândalos de desvio de dinheiro, suborno dentro do senado, ou troca de votos por simples promessas não cumpridas, o que resta para esta população acreditar?
             E por segundo, um fato e debate que embalou as poucas conversas realmente políticas do segundo turno nas eleições presidenciais. A questão aborto e ecologia, a caça pelos voto dos que apostaram na Marina Silva, no primeiro páreo; Dilma Roussef e José Serra despolitizando completamente o debate a fim de arrecadar mais votos, ou fazer seu oponente perde-los.
       Sobre o ponto 'aborto', transformar o aborto em uma questão de saúde publica, descriminaliza-lo, ou até o tornar legal (legal como antônimo de ilegal, proibido), sempre foi uma das pautas de luta do Partido dos Trabalhadores, PT, partido da qual Dilma é sua representante. A própria candidata afirma em certa entrevista que “pessoalmente é contra o aborto, mas este é sim uma questão de saúde publica, e deve ser legalizado”.
              E durante o processo, na busca incansável por votos, ou melhor pelos votos agora sem dono(a), o partido e conseqüentemente Dilma mudam completamente seu discurso, sobre a descriminalização, afirmam que não será colocado em pauta esse debate. Simples assim, Cinismo Cordial.
            Hector Ricardo Leis afirma que “cinismo cordial”, politicamente falando é não declarar seu ponto de vista real, ou até criar uma verdade mais apropriada para determinada situação, por 'medo' da reação da sociedade; e neste caso, afim de angariar mais votos, conquistar os votos dos evangélicos indecisos, adotam a estratégia de negar um debate que vinham construindo a anos em torno do aborto.
           Dilma Roussef representa a continuidade do governo de Lula/PT. Um governo que se vende como representante ideológico da classe trabalhadora e apresenta o grande diferencial de contar com alicerces nos movimentos sociais, na CUT e na UNE, mas que, serve aos interesses dos grandes burgueses de MERDA.
       Durante os seus mandatos, LULA aprovou a reforma da previdência, diversos eixos da reforma universitária e trabalhista, coisas que durante o governo FHC, eles mesmos, PT, eram "contra" 
             E na raiz deste cenário, encontra-se o partido dos trabalhadores e sua proposta de organização para a classe trabalhadora TODOS FALIDOS. Encerrando aqui, se já não acabou a uns 8 anos atrás, com muita lama, um ciclo inicialmente virtuoso, com altíssima politização e participação popular. Termina um ciclo político iniciado com as lutas pelo fim da ditadura militar brasileira e a criação do Partido dos Trabalhadores.
           E encerrou as eleições com o obvio decidido. Tanto faz quem fosse eleito, um ou  outro, os dois defendiam a mesmo BOSTA. Os dois representam a estrutura de um Estado que não existe, ou melhor NÃO DEVERIA EXISTIR. 

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